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Os preços do petróleo registraram forte alta nesta terça-feira (28), alcançando o patamar mais elevado das últimas quatro semanas, após o anúncio de que os Emirados Árabes Unidos irão deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e também a Opep+, aliança que inclui países parceiros do cartel.
Por volta das 13h15, o barril do tipo Brent — referência global — subia 2,80%, sendo negociado a US$ 111,26. Mais cedo, chegou a US$ 112,53, o maior valor desde o fim de março. Já o petróleo WTI, padrão dos Estados Unidos, avançava 3,65%, cotado a US$ 99,89.
O movimento de alta ganhou força após a confirmação da saída dos Emirados, que deve se concretizar a partir de 1º de maio. A decisão foi anunciada pelo ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, que afirmou que a medida foi tomada após uma revisão estratégica das políticas energéticas nacionais.
A saída surpreende o mercado e representa um abalo relevante para a Opep, especialmente para a Arábia Saudita, principal liderança do grupo. Membro desde 1967, os Emirados eram considerados um dos pilares da organização.
O cenário ocorre em meio a tensões crescentes no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, que têm impactado diretamente o fornecimento global de energia. Um dos pontos críticos é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. A região tem enfrentado episódios de ameaças e ataques a embarcações, o que dificulta as exportações.
Apesar da repercussão, o ministro emiradense minimizou possíveis efeitos mais amplos da decisão sobre o mercado, destacando que os desafios logísticos atuais já influenciam significativamente os preços.
Além das questões energéticas, a decisão também reflete tensões políticas. Os Emirados Árabes Unidos demonstraram insatisfação com a postura de outros países da região diante de ataques atribuídos ao Irã, criticando a falta de apoio mais firme.
O movimento também tem implicações geopolíticas. Aliado estratégico dos Estados Unidos, o país já havia sinalizado divergências dentro do bloco. A saída pode ser interpretada como um reposicionamento no cenário internacional, com possíveis impactos na dinâmica global do petróleo.
Analistas avaliam que a decisão tende a aumentar a volatilidade do mercado no curto prazo, enquanto investidores acompanham os desdobramentos tanto no campo político quanto no energético.


















