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O conflito entre Israel e Irã chega ao sexto dia nesta quinta-feira (5), marcado por novos bombardeios, ataques com drones e mísseis em diversos países do Oriente Médio. Explosões foram registradas em cidades como Tel Aviv, Jerusalém, Beirute e Teerã, enquanto países aliados reforçam suas posições militares na região.
A guerra começou no último sábado (28) após a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, durante ataques atribuídos a forças israelenses com apoio dos Estados Unidos contra instalações militares e lideranças iranianas.
Desde então, a escalada de violência vem atingindo não apenas Israel e Irã, mas também outros países da região.
Reino Unido reforça presença militar
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou o envio de quatro caças Typhoon para o Catar, onde já há um esquadrão britânico. Além disso, helicópteros Wildcat com capacidade para combater drones devem chegar ao Chipre na sexta-feira.
O navio de guerra HMS Dragon também foi deslocado para o Mediterrâneo. Segundo Starmer, os Estados Unidos receberam autorização para utilizar bases britânicas em operações classificadas como defensivas.
O governo britânico também trabalha na retirada de cidadãos da região do Golfo. Até agora, mais de 140 mil britânicos registraram presença junto às autoridades para eventual evacuação.
Israel em alerta por novos mísseis
As Forças de Defesa de Israel informaram ter detectado novos lançamentos de mísseis iranianos em direção ao país. Sistemas de defesa foram acionados e alertas foram enviados para celulares da população nas áreas afetadas, orientando moradores a permanecerem em locais seguros.
No Líbano, o Exército israelense ordenou a evacuação imediata de moradores de bairros do sul de Beirute, considerados redutos do Hezbollah. Autoridades militares pediram que a população se deslocasse para regiões mais ao norte ou leste da capital.
Ataques se espalham por outros países
Explosões também foram registradas em Manama, capital do Bahrein, segundo a agência AFP. Em Doha, no Catar, moradores relataram fortes detonações durante novos ataques atribuídos ao Irã.
No Azerbaijão, um drone iraniano atingiu o terminal de um aeroporto na região autônoma de Nakhchivan e outro caiu perto de uma escola na vila de Shakarabad. Dois civis ficaram feridos.
O governo azeri convocou o embaixador iraniano para prestar esclarecimentos e anunciou que apresentará um protesto formal. Parte do espaço aéreo do sul do país foi fechada por 12 horas após drones cruzarem a fronteira.
Nos Emirados Árabes Unidos, o Ministério da Defesa informou que interceptou seis mísseis balísticos e 131 drones. Apesar disso, um míssil e seis drones atingiram o território do país.
Desde o início dos combates, 196 mísseis balísticos foram detectados na região, além de oito mísseis de cruzeiro. Três pessoas morreram — cidadãos do Paquistão, Nepal e Bangladesh — e ao menos 94 ficaram feridas.
Relação entre Azerbaijão e Israel pode explicar ataque
Analistas apontam que o ataque ao Azerbaijão pode estar relacionado à proximidade estratégica entre o país e Israel.
Apesar de ser majoritariamente muçulmano xiita, o Azerbaijão mantém cooperação militar e comercial com Israel há anos. O país compra armamentos israelenses e exporta petróleo para o Estado israelense.
O Irã também acusa o Azerbaijão de permitir operações do Mossad em seu território — alegação negada pelo governo azeri.
Voos começam a ser retomados
Após cinco dias de interrupção, o Aeroporto Ben Gurion, principal de Israel, reabriu parcialmente nesta quinta-feira. O primeiro voo de repatriação, vindo de Atenas, trouxe cidadãos israelenses que estavam no exterior.
As autoridades estimam que cerca de 100 mil israelenses ficaram retidos fora do país desde o fechamento do espaço aéreo no início do conflito.
Alguns voos também voltaram a operar em países do Oriente Médio. Companhias aéreas como Emirates e Etihad retomaram parte das operações nos Emirados Árabes Unidos, enquanto a Qatar Airways anunciou voos de repatriação saindo de Omã para cidades europeias.
Sirenes em Israel e novos bombardeios
Durante a madrugada, sirenes de alerta aéreo voltaram a soar em Tel Aviv e Jerusalém após o lançamento de mísseis iranianos. Explosões foram ouvidas durante a interceptação dos projéteis pelos sistemas de defesa israelenses.
Não houve registro imediato de vítimas.
No Irã, moradores relataram novas explosões em Teerã após ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos.
Já no Líbano, bombardeios israelenses voltaram a atingir áreas próximas a Beirute, provocando destruição em bairros da capital e deixando mortos e feridos. Segundo autoridades locais, mais de 80 mil pessoas já foram deslocadas devido aos confrontos entre Israel e o Hezbollah.
Um ataque de drone israelense também atingiu um apartamento em Beddawi, próximo à cidade de Trípoli, matando o dirigente do Hamas Wassim Atallah al-Ali e sua esposa.
Congresso dos EUA mantém poder militar de Trump
Nos Estados Unidos, o Senado rejeitou por 52 votos a 47 uma proposta que buscava limitar os poderes do presidente Donald Trump para ordenar novas ações militares contra o Irã.
Pelo sistema americano, apenas o Congresso tem autoridade para declarar guerra formalmente, mas presidentes podem ordenar operações militares.
Uma votação semelhante ainda deve ocorrer na Câmara dos Deputados.
Navio iraniano afundado no Oceano Índico
Também na quarta-feira, autoridades americanas afirmaram ter afundado um navio iraniano no Oceano Índico. Um vídeo divulgado mostra o momento em que um torpedo atinge a embarcação.
Embora o Pentágono não tenha confirmado oficialmente o nome do navio, horas antes a Marinha do Sri Lanka informou que o destróier iraniano IRIS Dena havia afundado, deixando cerca de 140 pessoas desaparecidas.
Enquanto os combates continuam, o Irã adiou o funeral de Estado do aiatolá Ali Khamenei. Organizadores afirmaram que a cerimônia só será realizada quando houver condições de infraestrutura e segurança adequadas, mas ainda não divulgaram uma nova data.




















