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A morte da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, causou comoção e interrompeu um período de quase dois anos sem registros de feminicídio na capital capixaba. Ela foi assassinada dentro de casa, no bairro Caratoíra, na última segunda-feira (23), pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que em seguida tirou a própria vida.
De acordo com familiares, o autor do crime invadiu a residência utilizando uma escada e efetuou cinco disparos contra a vítima. Após o assassinato, ele se dirigiu até a cozinha e cometeu suicídio.
Reconhecida pela atuação firme na defesa dos direitos das mulheres, Dayse era descrita por colegas como uma profissional dedicada e sempre pronta para ajudar. O secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, destacou sua postura acolhedora e sua capacidade de liderança, lembrando que ela era uma referência dentro da corporação.
Natural da região da Grande Santo Antônio, Dayse era formada em Pedagogia e ingressou na Guarda Municipal após aprovação em concurso público em 2012, sendo efetivada no ano seguinte. Em janeiro de 2023, fez história ao se tornar a primeira mulher a comandar a instituição, além de assumir também o cargo de subsecretária. Ela possuía ainda pós-graduação em Segurança Pública Municipal.
A comandante deixava uma filha de oito anos, que não presenciou o crime. Segundo o pai da vítima, o relacionamento com o autor durava cerca de quatro anos e era marcado por episódios de agressão. Ele relatou que já havia presenciado situações de violência e afirmou que a filha havia decidido encerrar o relacionamento, decisão que não foi aceita pelo agressor.
Familiares também ressaltaram o compromisso de Dayse com a causa feminina. Nas redes sociais, horas antes de ser morta, ela publicou conteúdos sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres. Em outra postagem recente, feita no Dia Internacional da Mulher, refletiu sobre os desafios enfrentados por mulheres em posições de liderança.
O velório e o sepultamento ocorreram ainda na segunda-feira, reunindo familiares, amigos e autoridades. O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, decretou luto oficial de três dias e destacou a importância do trabalho desempenhado pela comandante, especialmente na criação de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
Apesar de atuar diretamente no enfrentamento à violência doméstica, Dayse não havia compartilhado com colegas a situação que vivia no relacionamento. Segundo o secretário Amarílio Boni, a corporação não tinha conhecimento dos episódios de agressão.
A morte da comandante gerou forte repercussão entre profissionais da segurança pública. Representantes da categoria lamentaram a perda e reforçaram a importância de ampliar ações de prevenção e combate à violência contra a mulher.
O caso reacende o alerta sobre a necessidade de denunciar situações de abuso e reforça o debate sobre a violência de gênero, que ainda faz vítimas mesmo entre mulheres que atuam diretamente na linha de frente dessa luta.


















