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O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (21) a liquidação do Will Bank, banco digital que integra o conglomerado do Banco Master. A fintech nasceu em 2017 no Espírito Santo, inicialmente com o nome Meu Pag!, com foco na inclusão financeira de pessoas de baixa renda e clientes fora do sistema bancário tradicional.
Desde o início, o banco apostou em operações 100% digitais e em campanhas de marketing intensas na televisão e nas redes sociais. A estratégia impulsionou o crescimento principalmente no Nordeste, permitindo que a instituição alcançasse cerca de 9 milhões de clientes no ano passado.
Atualmente, o Will Bank possui aproximadamente R$ 6,5 bilhões em CDBs a serem pagos, conforme dados do Banco Central referentes a setembro de 2025. Esses valores estão cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), respeitado o limite de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
A fintech foi adquirida pelo Banco Master no início de 2024, quando contava com cerca de 6 milhões de clientes e havia registrado faturamento de R$ 2,8 bilhões no ano anterior. Em março de 2025, o Banco de Brasília (BRB) anunciou a intenção de comprar o Banco Master, utilizando a estrutura do Will Bank como plataforma de expansão digital e de acesso às classes C e D. No entanto, a operação foi rejeitada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano.
Em novembro, o BC decretou a liquidação do Banco Master ao concluir que a situação financeira da instituição era irreversível. Nessa etapa, o Will Bank foi mantido em funcionamento sob regime especial de administração temporária, diante do interesse de investidores em adquirir o banco digital e, assim, reduzir parte do passivo do grupo controlado por Daniel Vorcaro.
Entre os interessados que chegaram a analisar a compra estavam o apresentador Luciano Huck e o fundo Mubadala Capital, ligado ao fundo soberano de Abu Dhabi. Apesar das conversas, as negociações avançaram lentamente.
Nesta semana, a situação do Will Bank se agravou quando a Mastercard suspendeu a aceitação dos cartões emitidos pela instituição, após o não cumprimento de pagamentos. A medida buscou evitar o aumento das dívidas do banco com o mercado de cartões. Na segunda-feira (19), diversas transações realizadas por consumidores deixaram de ser honradas.
Segundo o Banco Central, o Will Bank encerrou setembro do ano passado com R$ 14,2 bilhões em ativos e patrimônio líquido negativo de R$ 76,2 milhões. Apesar disso, no terceiro trimestre de 2025, a instituição ainda registrou lucro líquido de R$ 408,3 milhões, o que não foi suficiente para reverter o quadro que culminou na liquidação definitiva.


















