Espírito Santo cria fundo bilionário para acelerar a economia de baixo carbono

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O Espírito Santo deu um passo estratégico na agenda climática ao lançar, nesta terça-feira (27), o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo, iniciativa voltada ao financiamento da transição energética e à redução das emissões de gases de efeito estufa. O anúncio foi feito no Palácio Anchieta, em Vitória, e marca a entrada do Estado em um seleto grupo de unidades da federação que estruturam instrumentos financeiros robustos para o desenvolvimento sustentável.

O fundo será supervisionado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) e gerido pela BTG Pactual Asset Management, adotando uma estrutura inovadora de blended finance — modelo que combina recursos públicos e privados para ampliar o impacto dos investimentos. Com um aporte inicial de R$ 500 milhões, oriundos do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), a expectativa é de que o mecanismo supere R$ 1 bilhão em investimentos ao longo dos próximos anos.

Recursos fósseis financiando a transição energética

Um dos principais diferenciais do fundo é a destinação estratégica de receitas provenientes da exploração de petróleo e gás para financiar projetos sustentáveis. O modelo transforma royalties de combustíveis fósseis em capital voltado à descarbonização da economia capixaba, alinhando crescimento econômico e responsabilidade ambiental.

A iniciativa está diretamente conectada ao Plano de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa do Espírito Santo, que estabelece a meta de reduzir em 27% as emissões até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050.

Investimentos com foco em impacto climático e social

Estruturado como um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), o Fundo de Descarbonização investirá em títulos e direitos creditórios emitidos por empresas com sede fiscal no Espírito Santo, desde que os projetos contribuam de forma comprovada para a redução ou compensação das emissões de gases de efeito estufa.

Os investimentos serão guiados por quatro eixos estratégicos:

  • Redução direta de emissões
  • Aumento da eficiência energética
  • Compensação de emissões
  • Remoção e captura de gases de efeito estufa

A política de investimentos foi desenhada com critérios técnicos rigorosos, governança robusta e foco na geração de impacto socioeconômico positivo, contando também com o apoio técnico do Instituto Clima e Sociedade (iCS).

Setores prioritários

De acordo com o edital, o fundo deverá apoiar projetos em áreas consideradas estratégicas para a transição energética, entre elas:

  • Geração de energia renovável (solar, eólica, biogás e biometano);
  • Tecnologias limpas para a indústria;
  • Eficiência energética e eletrificação de cadeias produtivas e logísticas;
  • Reflorestamento, restauração ambiental e uso sustentável do solo;
  • Agricultura sustentável e regenerativa;
  • Biocombustíveis e combustíveis alternativos;
  • Transportes de baixa emissão, incluindo eletrificação de frotas;
  • Gestão de resíduos, com foco em reciclagem, biogás e valorização energética.

Não será permitida a concentração dos investimentos em um único setor, garantindo diversificação e mitigação de riscos.

Liderança climática e visão de longo prazo

Durante o lançamento, o governador Renato Casagrande ressaltou que o Espírito Santo trata a agenda climática como política pública estruturante há mais de uma década, citando iniciativas como o Programa Reflorestar, o avanço no Cadastro Ambiental Rural e a criação do Programa Capixaba de Mudanças Climáticas.

Para o vice-governador Ricardo Ferraço, o novo fundo coloca o Estado na vanguarda nacional ao transformar compromissos ambientais em instrumentos financeiros concretos. Ele destacou que a iniciativa deve gerar empregos verdes, diversificar a economia e fortalecer a resiliência social.

O diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, afirmou que o fundo consolida o papel do banco em agendas de fronteira, ao integrar finanças, inovação e responsabilidade ambiental. Segundo ele, o modelo adotado tem potencial de ser replicado por outros estados e instituições públicas.

Participação do mercado e próximos passos

A BTG Pactual Asset Management, selecionada por chamada pública em 2025, será responsável pela originação, análise e gestão dos projetos. Empresas interessadas deverão apresentar iniciativas alinhadas ao Plano de Descarbonização do Estado e atender a todas as exigências legais, ambientais, fiscais e trabalhistas.

Os critérios detalhados de enquadramento, bem como as condições operacionais para acesso aos recursos, serão divulgados em breve. Investidores e empresas já podem manifestar interesse por meio do e-mail: OL-funses-descarbonizacao@btgpactual.com

Mais informações estão disponíveis no site do Bandes.

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