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O Governo do Espírito Santo deu um passo importante no enfrentamento a um problema que cresce silenciosamente em todo o país: a dependência em apostas on-line e jogos digitais. A partir de 2026, a Rede Abraço, programa estadual voltado ao cuidado de pessoas com dependência, passa a oferecer atendimento especializado para quem desenvolve compulsão por esse tipo de prática.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (26) pelo governador Renato Casagrande, durante cerimônia no Palácio Anchieta, em Vitória. A nova linha de cuidado amplia o escopo da Rede Abraço, que desde 2013 atua no acolhimento e tratamento de dependências químicas, e agora incorpora uma abordagem específica para os transtornos relacionados ao jogo.
A proposta é atender tanto pessoas que já apresentam dependência instalada quanto aquelas que demonstram sinais iniciais de comportamento compulsivo, atuando de forma preventiva. O serviço também contempla orientação e suporte aos familiares, frequentemente impactados pelas consequências emocionais, sociais e financeiras do vício.
Para o governador, o tema precisa ser encarado com seriedade e responsabilidade. Segundo Casagrande, a compulsão por apostas não afeta apenas o indivíduo, mas todo o seu entorno. “Estamos lidando com um desafio real de saúde pública. Ao ampliar a atuação da Rede Abraço, oferecemos um caminho seguro para quem precisa de ajuda e reforçamos nosso compromisso com o cuidado integral das pessoas”, afirmou.
O atendimento será realizado por equipes multiprofissionais, com acompanhamento ambulatorial de médicos e profissionais de enfermagem, além de avaliações psicossociais conduzidas por psicólogos e assistentes sociais. A escuta qualificada permitirá identificar padrões de comportamento, impactos financeiros e danos emocionais associados à compulsão. O serviço é voltado para pessoas a partir de 14 anos de idade.
De acordo com o subsecretário de Estado de Políticas sobre Drogas e coordenador da Rede Abraço, Carlos Lopes, a iniciativa reflete mudanças observadas no perfil dos atendimentos ao longo dos últimos anos. “A dependência em jogos apresenta mecanismos muito semelhantes aos das drogas. Muitas vezes, o prejuízo financeiro é o gatilho para a busca por ajuda, mas o tratamento precisa ir além, alcançando as causas emocionais e comportamentais”, explicou.
Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III) reforçam a urgência da medida. Em 2023, foram registrados 2.262 atendimentos relacionados a transtornos ligados ao jogo. Em 2024, o número saltou para 3.490. Somente no primeiro semestre de 2025, já haviam sido contabilizados 1.951 atendimentos, indicando uma tendência de crescimento e a necessidade de ampliar as estratégias de cuidado e prevenção no Estado.


















